Nos passados dias 4 e 5 de maio, os estudantes do Mestrado em Comunicação, Arte e Cultura, do Mestrado em Sociologia, e do Doutoramento em Estudos Culturais, participaram em mais uma edição da “Escola de primavera”, este ano, com lugar em Melgaço.

O programa de trabalhos teve início às 10h00 de sábado, onde os participantes puderam descobrir a beleza e frescura dos paçadiços do rio Minho. Nesse percurso puderam fruir do contato direto e intímo com a história do Contrabando, que teve maior força no período dos regimes ditaturiais de Portugal e Espanha.

Após um almoço marcado pelo convívio e partilha, no Centro de Estágios, o grupo foi conhecer o núcleo da vila de Melgaço. Ao subir uma ligeira rampa granítica, todos foram recebidos pela escultura de bronze de uma das figuras fortes da história local, Inês Negra – personagem ligada à Crise de 1383-85 – colocada à entrada da vila muralhada nascida no século XII por vontade do primeiro monarca, Afonso Henriques. Até ao reduto e a sua torre de menagem, foi possível um momento de encantamento com as casas de origem medieval e de traça marcadamente romântica.

Entre as 15h00 e as 17h00 tiveram lugar as visitas ao Museu do Cinema, onde foi possível entender o nascimento e o desenvolvimento que levou o cinema a tomar as proporções que hoje conhecemos. Depois, em forma de quase descoberta pelas antigas artérias da vila secular, os alunos foram ter ao Espaço Memória e Fronteira, onde de forma hábil e única, ocorreu uma visita guiada pelo Professor Albertino Gonçalves. Um momento, que fez a visita matinal junto ao rio Minho ganhar todo o sentido sobre a alma própria de um povo e o seu conhecimento face à arte de romper fronteiras e ser artistas da sobrevivência.

A noite foi de Sarau e subordinada ao tema “Espaços – Entre, através e além das fronteiras”, com a presença de Edmundo Cordeiro, Joana Gama e Fernando José Pereira. Cada um apresentou a sua forma de ver e fazer arte num mundo em mudança, inclusive o conceito de fronteira. Somos o algo determinado de um todo que não cabe, por vezes, dentro de um conhecimento ou de uma pessoa só.

O segundo dia da “Escola de Primavera” foi de exploração, superação e deslumbramento. De Melgaço os estudantes rumaram para a aldeia histórica de Castro laboreiro. Aí, onde as casas, centradas na sua igreja matriz romano-gótica, parecem brotar do duro e puroso granito, iniciou-se a descoberta da História pelas cascatas do rio Laboreiro até ao sobranceiro castelo erigido pelo rei-lavrador, D. Dinis.

No período da tarde todos são incitados a descobrir a riqueza natural do Parque Natural da Serra da Peneda-Gerês, em Lamas do Mouro. Desde o contato natural com o gado de raça barrosã e o famoso cão de Castro Laboreiro, ao encontro no auditório de Portas de Lamas. Todo o período entre as 14h30 e as 15h30 foram uma interpelação para um conhecimento mais amplo do ecossistema da serra.

Para concluir a “Escola de primavera” com chave de ouro, os participantes regressaram a Melgaço, ao Solar do  Alvarinho, para um Alvarinho de honra. Entre degustações e brindes, ficaram no ar vários desejos, principalmente o de uma vida de largos horizontes e fronteiras cada vez mais ténues.

Melgaço, Cultura, Arte e Comunicação, por Jorge de Faria Moreira

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